Perigos ocultos que moram no prato

É bastante comum e bem provável que, em algum momento da vida, você sinta um mal-estar na região do abdômen causado pela ingestão de um alimento contaminado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, a cada ano, cerca de 600 milhões de pessoas em todo o mundo – quase 1 em cada 10 habitantes – sofram com as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA), ou, como são popularmente conhecidas, Intoxicações ou Infecções Alimentares.

A nutricionista e professora da Faculdade de Medicina de Açailândia (Idomed Fameac), Rafaelly Raiane Soares, explica que as intoxicações ocorrem devido à ingestão de substâncias nocivas à saúde, que podem ser toxinas liberadas por microrganismos patogênicos, metais pesados ou qualquer outro componente prejudicial ao organismo.

Rafaelly Raiane – Professora do Idomed Fameac

A especialista detalha, ainda, que existem três tipos diferentes de DTHA. A intoxicação alimentar, causada pela ingestão de toxinas liberadas por microrganismos patogênicos ou outras substâncias nocivas ao organismo, como toxina botulínica, metais pesados e micotoxinas (produzidas por fungos); a infecção alimentar, que ocorre pela ingestão de alimentos, água ou bebidas contaminadas por microrganismos patogênicos, como bactérias, fungos e vírus; e a toxinfecção alimentar, provocada pela ingestão de alimentos contaminados com organismos nocivos à saúde que produzem substâncias tóxicas. Um exemplo é a cólera, causada pela bactéria Vibrio cholerae.

Os sinais clínicos podem variar conforme o organismo do indivíduo acometido pela doença, o tipo e a quantidade de toxina presente no alimento contaminado. No entanto, os sintomas mais comuns incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, fadiga, desidratação e febre. Esses sintomas podem minar toda a energia da pessoa e impedir diretamente a normalidade da rotina social e do trabalho.

PREVENÇÃO

A principal recomendação é redobrar a atenção com alimentos crus de origem animal, visto que estes são os mais propensos à contaminação. Ovos, carnes cruas ou mal-cozidas, leites não pasteurizados e frutos do mar estão frequentemente associados a quadros de infecções ou intoxicações alimentares. Além disso, frutas, legumes e verduras mal higienizados também podem ser fontes comuns dessas doenças.

“Alguns hábitos de higiene são indispensáveis para prevenir a contaminação. Em casa, frutas, legumes e verduras devem ser higienizados e armazenados adequadamente. Não só os alimentos, como as mãos também precisam ser lavadas com água limpa e sabão, antes do manuseio das comidas. Além disso, alimentos cozidos, como arroz, carne e feijão, devem ser conservados seguindo corretamente as regras de tempo e temperatura, mesmo após o preparo”, conclui Rafaelly, que ainda alerta para os hábitos rotineiros comuns, como cozinhar e deixar os alimentos por muito tempo em temperatura ambiente, que podem favorecer a proliferação de microrganismos causadores da doença.